Pra quem gosta de ler, ver e ouvir - e outras coisas do tipo.

domingo, 4 de abril de 2010

Batman

A criação desse personagem tão icônico se deu em 1939 na revista Detective Comics 27, foi criado por Bob Kane, e Bill Finger mas somente o primeiro tem os crédito até hoje. Processos judiciais a parte o personagem foi baseado no Drácula com sua figura do morcego e estilo sombrio.

Toda a história começa com os pais de Bruce, Thomas e Martha Wayne sendo assassinados na frente de seu único filho ainda criança, após assistirem a uma sessão do filme a Marca do Zorro. Esse trauma transformou a vida do jovem Bruce, que a partir de então se dedicou a aperfeiçoar sua mente e seu corpo para enfrentar todo e qualquer tipo de criminoso, estudando e convivendo com mentes criminosas, e treinando em variadas formas de combate corpo-a-corpo, uma vez que desenvolveu uma aversão a armas de fogo.

O grande mérito do personagem é que eles escolheu ser um combatente do crime, e se esforçou pra isso, ele não tem super-poderes, não recebeu um anel do espaço, não foi picado por uma aranha radioativa, não ficou preso em uma ilha e foi obrigado a aprender a caçar com arco e flecha nem tão pouco construiu uma armadura. Simplesmente decidiu-se no combate ao crime com suas armas mais poderosas: a mente e o corpo. E que fique muito claro, ele não faz isso por vingança, como o Justiceiro, mas para que ninguém mais sofra o que ele sofreu e sofre com a perda de seus pais.

Os métodos de combate ao crime adotados por ele são os do terror, por isso usa a figura do morcego que era o que o assustava em sua infância desde quando caiu em uma caverna povoada por morcegos em sua propriedade, que futuramente se tornaria sua base de operações. Encher os criminosos de medo é uma tática bem útil, fazendo com que eles tomem medidas desesperadas, a figura elemental do medo é comum a todos os seres humanos. Batman usa o fogo contra fogo se diferenciando dos próprios parceiros no bom combate. Tudo isso com o uso aplicado da inteligência, nem todos seus inimigos oferecem apenas o desafio físico, outros testam os limites de sua astúcia, Batman, assim alcança a alcunha de grande Detetive.

Batman é um herói muito mais complexo e pode ser mais analisado dentro das nuances de sua psique, dos seus traumas e de sua cruzada. Para ilustrar, comentemos a respeito de uma das melhores histórias já contada dele, senão a melhor até mesmo entre todos os heróis. O Cavaleiro das Trevas é uma obra originalmente publicada em 1986 em quatro edições, em um período em que os quadrinhos lutavam para sair dos efeitos do livro que os acusava de ser má influência para os jovens e por isso sofriam uma pesada censura. Some a isso uma estagnação econômica do final dos anos 70 que limitava e limava a criatividade dos criadores. Junto com Wacthmen de Alan Moore, O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller quebra todas essas barreiras impostas apontando novas direções para os super-heróis com um comportamento mais agressivos e menos ingênuo.

A história: em um futuro não muito distante, a cidade de Gotham se vê assolada por uma onda de calor e de crimes perpetuados pela gangue dos mutantes, que são jovens perdidos dentro de uma sociedade que não sabe bem o que fazer com eles, então a saída obvia para uma parte dessa juventude é o crime. Fazem 10 anos desde a última aparição do Batman e muitos acreditam que ele não passa de uma lenda urbana. A narrativa principal é entrecortada pelos noticiários, o que nos deixa a par da situação social em que esse mundo se encontra.

Bruce Wayne agora é realmente um playboy, participa de corridas de carro, bebe de verdade e tem uma vida social ativa. Mesmo assim ainda sente o vazio em sua vida deixado pelo capuz e pelo combate ao crime, mas se engana quem acha que ele sente falta da ação e da adrenalina, seu desconforto é com o estado deplorável que se encontra a cidade.

Em uma clara alusão ao Batman sendo uma força da natureza, seu retorno acontece na mesma noite em que o calor cessa. O velho Bruce Wayne se rende a sua contraparte lembrando-se da noite em que seus pais foram assassinados no beco do crime, e assim renasce a lenda.

Não demora para que a notícia apareça, já que ele faz diversas aparições em uma única noite, e o debate que acompanha sua volta também tem início co manifestações a favor com Lana Lang (essa mesmo! A amiga do Super-Homem) sendo a principal representante, e o Psiquiatra de Harvey Dent como principal voz contrária. Vale destacar que antigos inimigos voltam a ativa após saberem do retorno do cruzado de capa entre eles o próprio Dent e o Coringa que sai do estado catatônico. A gangue dos mutantes também contribui com uma parcela para o caos, e assim que possível Batman os confronta em uma pequena guerra a bordo do Batmóvel, ou seria Bat-tanque? Restando apenas o líder em pé, o confronto direto se faz necessário, e mesmo não sendo derrotado, o líder vai preso e Batman descobre uma nova ajudante umA Robin.

O personagem Robin sempre representou a jovialidade e uma identificação juvenil para todo o clima sombrio que cerca a figura do Batman. Nesse caso é pior pois em uma cidade corrompida uma garota se veste com trajes colorido, se pendura por prédios e seus pais mal dão falta dela , já que estavam ocupados demais com hábitos pouco ortodoxos.

A certa altura, a discussão social sobre os métodos e o impacto social que ele causa, chegam a incomodar o presidente dos EUA, que à época seria Ronald Reagan (o ator), porém uma comparação com George W. Bush não é nenhum absurdo, com todas suas comparações entre países e ranchos em um diálogo com seu menino de recado de uniforme azul. Ele deixa claro ao Super-Homem que a situação em Gotham precisa ser controlada e cabe a ele fazer isso, pois conhece o Batman e seus métodos.

Em um monólogo do Super-Homem fica claro que ele esta receoso com a posição do Batman e sobre que tipo de conseqüência isso pode trazer para a amizade deles, já que Wayne é tão obstinado, que discordou até mesmo da sanção aos super-heróis tempos atrás.

A partir daí o ritmo frenético só aumenta, com o Super-Homem sendo chamado para resolver uma crise internacional contra os russos em Corto Maltese, enquanto que o Batman lida definitivamente o Líder mutante, arrebanhando os membros restantes e indecisos da gangue como “filhos do Batman”. Mas o que realmente é espetacular é o confronto com o Coringa em que o homem-morcego promete ser o último e o persegue fazendo a contagem de corpos de quantos deveriam sobreviver se ele tivesse acabado com isso tempos atrás, incluindo Jason Todd, o segundo Robin.

Como o melhor está sempre guardado pro final, no último ato,temos o Batman tomando conta da situação com uma cavalgada apoteótica após um pulso magnético instalar o caos e o desespero, além do retorno do Super-Homem, para um confronto épico e titânico de proporções gigantescas envolvendo os dois maiores ícones super-heróicos com uma participação mais que especial do Arqueiro Verde que “profetiza” que em um mundo como aquele, não há lugar para os dois.

Uma obra majestosa com um final digno e arrebatador, por essas e por outras razões eu considero essa a maior e melhor obra de História em Quadrinhos de Super-Heróis que eu já li, se por acaso você ainda não leu está dispensado agora para fazê-lo.

O Batman pode ser considerado um terrorista sim, mas contra um sistema corrupto e um status quo desigual que privilegia os desonestos, é uma força social sim , a partir do momento que inspira as pessoas a lutarem pelos seus direitos, e claro , um herói sem igual que enfrenta adversário mais forte com inteligência.


Nota final: Batman sempre foi Batman, nunca homem morcego ou morcego homem ...certo ?! E aliás, o super- poder dele é a Determinação inabalável, coisa que deveria ser comum a todos nós.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Especial: Cinema - 1985

Para continuar a saga dos filmes mais marcantes dos anos 80, a listinha da semana apresenta os de 1985! Confira:


A Cor Púrpura (The Color Purple, EUA)
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Danny Glover, Whoopi Goldberg, Margaret Avery, Oprah Winfrey, entre outros.
Baseado no romance homônimo de Alice Walker, vencedora do Prêmio Pulitzer em 1983, A Cor Púrpura é considerado um belo filme por uns e melodramático em excesso por outros. Fato é que esta película fez muito sucesso na época, tanto de crítica quanto de público. Em suma, aqui temos a narrativa da história de Celi (Goldberg) que, ainda menina, é violentada pelo pai, se torna mãe e é forçada a se separar dos filhos. No desenrolar da trama, Celi revela seu brilhantismo e ganha consciência das possibilidades que o mundo pode oferecer. Recebeu dez indicações ao Oscar, mas não venceu nenhuma.

Cocoon (Cocoon, EUA)
Direção: Ron Howard
Elenco: Don Ameche, Wilford Brimley, Hume Cronyn, Brian Dennehy, Jack Gilford, entre outros
.

Extraterrestres chegam à Terra com a missão de resgatar alguns casulos com seres de outros planetas que estavam numa piscina abandonada. Três velinhos que vivem num asilo nas proximidades começam a usar a piscina, sem desconfiar de nada e passam a se sentir rejuvenecidos e cheios de disposição. Quando descobrem o que está acontecendo, ajudam os extraterrestres a cumprirem sua missão. Cocoon levou o Oscar por Melhor Ator Coadjuvante para Don Ameche e Melhor Efeitos Especiais. Em 1988 saiu uma continuação Cocoon 2 - O Regresso.


Trailer: Cocoon

Os Goonies (The Goonies, EUA)
Direção: Richard Donner
Elenco: Sean Astin, Josh Brolin, Jeff Cohen, Corey Feldman, Kerri Green, Martha Plimpton, Jonathan'Ke Huy Quan, John Matuszak, entre outros.


Um grupo de amigos descobre um possível mapa do tesouro e, intrigados, vão testar a legitimidade do mesmo. Quando começam a perceber que aquilo é real, embarcam numa aventura que podem deixá-los ricos e evitar a destruição de suas casas. A dublagem original (dos Estúdios Herbert Richers), conta com os irmãos Selton e Dalton Mello.

A História Oficial (La Historia Oficial, Argentina)
Direção: Luiz Puenzo
Elenco: Hécto Alterio, Norma Aleando, Chunchuna Villafañe, Guillermo Battaglia, Chela Ruíz, entre outros.

Foi o primeiro filme produzido na América Latina a levar um Oscar de Melhor Filme Estrangeiro para casa. O segundo, também argentino, foi O Segredo de seus olhos, vencedor deste ano.
A História Oficial tem como personagem principal uma professora de classe média que descobre que sua filha adotiva pode ser uma criança cujos pais foram presos políticos durante a ditadura militar, que por lá durou de 1976 a 1983. Li por aí que Puenzo escrevia e pretendia fazer o filme as escondidas do regime militar, mas este acabou ruindo antes do roteiro ficar pronto. Até onde isso é verdade não tive como confirmar, mas esse retrato sobre crueldades cometidas por militares e outros desdobramentos foi lançado logo após a queda da ditadura. Além de nuestros hermanos não viverem solamente de futebol, também tratam a questão da ditadura sob outro viés: não se protege a identidade de torturadores por lá, por exemplo. O filme todo foi rodado em Buenos Aires. Além do Oscar, o filme também foi premiado no Festival de Cannes, no Globo de Ouro e no Festival de Berlim.





"Compreender a história é preparar-se para compreender o mundo. Nenhum povo pode sobreviver sem memória. E a memória é a história dos povos".

De Volta Para o Futuro (Back To The Future, EUA)
Direção: Robert Zemeckis
Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Crispin Glover, Thomas F. Wilson, Claudia Wells, entre outros.

Quem nunca desejou viajar no tempo, por qualquer motivo que seja? Nessa aventura da trilogia De Volta Para o Futuro, Marty Mcfly (Michael J. Fox) realiza essa loucura. Assistente do ambicioso cientista Dr. Emmete Brown (Christipher Lloyd), Marty entra no De Lorean em experimento do Dr. Brown para fugir de terroristas - que procuravam o plutônio roubado pelo Dr. Sem perceber, a carro atinge a velocidade necessária para gerar a energia para viajar no tempo e acaba "pousando" em 1955. Lá, encontra seus pais, ainda jovens. Porém ,Marty acaba alterando a realidade quando sua "mãe" meio que se apaixona por ele. Então ele precisa reorganizar as coisas para não alterar drasticamente o futuro - embora as coisas não sejam mais as mesmas quando se mexe no passado... O filme foi indicado ao Oscar por Melhor Canção Original, Som e Roteiro Original, mas só levou o prêmio por Melhores Efeitos Sonoros.

De Lorean modificado usado como máquina do tempo

sábado, 27 de março de 2010

Placebo em turnê do Battle For The Sun


O Placebo, do vocalista Brian Molko, vem ao Brasil mês que vem em turnê do mais recente disco Battle For The Sun, lançado em 2009. O disco conta com 13 faixas e, segundo o site brasileiro da banda, Molko diz estar satisfeito com o amadurecimento do Placebo: "Acho que chemagos à fase adulta da banda e eu estou muito feliz com o que o Placebo se tornou".

O Disco




Pra quem gosta da banda e acompanhou todos os cds, dá para perceber a gradual transformação do som, mas o Placebo não distorceu sua personalidade. Battle for The Sun conta com 13 faixas. Na faixa 10 - Happy You're Gone e 12 - Come Undone dá gosto de ouvir Molko cantar e o instrumental é denso sem ser pesado. A faixa 03 que dá título ao disco marca bem o que é a cara do Placebo, tanto no som quanto na letra. Você pode até dar uma estranhada quando ouve pela primeira vez, mas logo você se adapta. O disco é bom, vale muito a pena ouvir.


As faixas

01 - Kitty Litter

02 - Ashtray Heart

03 - Battle For The Sun

04 - For What It's Worth

05 - Devil In The Details

06 - Bright Lights

07 - Speak In Tongues

08 - The Never-Ending Why

09 - Julien

10 - Happy You're Gone

11 - Breathe Underwater

12 - Come Undone

13 - Kings Of Medicine


Os Shows


Os Shows do Placebo no Brasil vão rolar em abril. No dia 13 em Porto Alegre, dia 14 em Curitiba, dia 16 em Belo Horizonte e 17 aqui em Sampa. Notícia um tanto agradável para os paulistas esse show num... sábado!

Eu já garanti meu ingresso. Vejo vocês por lá!

quarta-feira, 24 de março de 2010

O Quarto Poder



Uma pergunta que deveria ser mais recorrente nos dias atuais, e que não vemos ser feita é a respeito do papel que jornais e jornalistas têm hoje na sociedade.

Primeiro, devemos fundamentar que nossa sociedade é extremamente midiática e altamente influenciada pelo que é veiculado através dela. O hábito de questionar o que se vê na televisão ou se lê nos jornais não é muito comum. Por isso é fácil notar que tudo que é relatado nesses veículos é direcionado para que públicos específicos tenham conclusões específicas.

Essa sociedade midiática se faz presente a cada vez que há a possibilidade de uma pessoa desconhecida se tornar famosa, seja por qualquer motivo, desde participar de um reality show encarnando uma versão distorcida de si própria para agradar os telespectadores, ou quase sofre agressão física em uma universidade por usar uma roupa chamativa, até o acusado de assassinato da própria filha ou enteada.

O exemplo dos criminosos é bem recorrente, pois há diversos casos bizarros e cinematográficos acontecendo no cotidiano, assistir ao jornal hoje em dia, especialmente essa semana com o julgamento do caso dos Nardoni acontecendo, será uma experiência parecida com assistir uma série policial. Mas o grande problema é que tudo é real. Essa comparação deveria ser descabida, mas na luta pela audiência tudo é glamourizado e transformado em circo para atrair o maior número possível de telespectadores. Longe de mi apontar dedos para suspeitos e definir culpado, mas o que se vê é uma sociedade com sede de vingança e não de justiça enquanto os suspeitos são praticamente transformados em terroristas internacionais.

Esse tipo de glamourização não é privilégio das páginas policiais, pois a mídia esportiva também é vergonhosa. Com banalização da vida pessoal dos atletas. Se alguém puder me explicar como minha vida ficou melhor depois de saber que Tiger Woods é viciado em sexo, ou que o Kaká deixou seu troféu de melhor do mundo na igreja que ele freqüenta, eu ficarei muito satisfeito. Porém essas notícias são esfregadas na nossa cara, e mesmo fazendo o possível pra não ver ou ouvir alguma coisa sempre escapa. Tudo o que não influencia o rendimento do atleta no seu esporte deveria ser omitido, por que a vida particular deles não nos diz respeito e eles merecem o mínimo de privacidade. No caso do Senhor Woods, em minha opinião, deveria ser noticiado somente que ele se afastaria dos campos de golfe por problemas familiares e só!

Figuras do mundo do entretenimento também sofrem com isso, digo sofrem por que alguns tentam ter privacidade enquanto outros se esforçam para chamar a atenção. De novo, como minha vida fica melhor sabendo onde ou com quem algum ator/atriz/cantor/cantora/modelo/vedete almoçou?

Voltando ao papel da mídia jornalística, a princípio é fácil dizer que cabe a elas nos informar dos acontecimentos, mas também ajudar na formação de uma opinião. Assim é muito improvável que jornalistas e escritores consigam fazer seu trabalho de maneira completamente imparcial e objetiva, e acabam por direcionar a reportagem para que o leitor tire conclusões que atendam certos interesses. Conclusões essas, que farão com que o leitor consuma um produto específico, votem em um candidato específico, ou mesmo mude seus hábitos de uma maneira que antes não era cogitado.

Em favor aos jornalistas, devo dizer que ser completamente imparcial é muito difícil mesmo, por mais que se esforce é difícil não “acrescentar” um pouco de si próprio seja em uma obra escrita ou áudio visual, Mas o grande dilema é querer transformar essa obra em uma verdade absoluta e indiscutível.

Então quer dizer que devemos parar de assistir e comprar jornais? CLARO QUE NÃO!!!!!

O que deveria ser feito é tentar assistir ou ler notícias de diferentes mídias e tendências, a fim de expandir seus horizontes opinativos para um espectro mais abrangente, em que não haja julgamentos sem um embasamento cuidadoso.

A função dos jornais passa pela formação e informação social. É possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo, para isso é preciso um comprometimento ético dos veículos de comunicação, que eles respeitem os interesses sociais e ajudem no desenvolvimento das camadas que compõem a sociedade. Todos devem ser informados sobre os acontecimentos, mas sem uma formação crítica a mensagem pode ser deturpada.

Os veículos de comunicação são tão representativos e importantes hoje em dia, que eles representam o quarto poder em vigência, exercendo uma forte pressão na comunidade política, como por exemplo, os horários dos jogos de futebol no meio da semana, que acabam em um horário extremamente incômodo para os torcedores, e não é mudado pela necessidade dos canais de televisão de passar o jogo após a novela. Ou outro exemplo clássico, quando um canal de televisão conseguiu praticamente eleger um presidente em 1989 na edição do último debate entre os candidatos.

A formação de opiniões é uma coisa muito séria, passa pela própria formação de caráter, e em nossa sociedade cada vez mais escrava do quarto poder é imprescindível que os pensamentos sejam livres.

A pior ditadura é aquela em que acreditamos que somos livres.

terça-feira, 23 de março de 2010

Professores em Greve

Depois do futebol, o esporte favorito do brasileiro é a reclamação. Não adianta já ficar de cara feia pelo que eu escrevi, você sabe - assim como eu - que isso é verdade. Reclama-se do trânsito, mas pouco gente anda de bicicleta, por exemplo. Porque, difícil mesmo, não é sair por aí protestanto. Difícil é entender o porquê de se fazer isso. É mudar pequenos hábitos do dia-a-dia que fazem muita diferença. É abrir a mente e ver as coisas sob outros pontos de vistas. É ouvir diferentes opiniões.
Pouca gente entende a greve que os professores do Estado de São Paulo estão fazendo. Veja só: pra começar greve é um direito de todo trabalhador que está sofrendo injustiças no emprego. Direito esse assegurado pela Constituição, livrinho que, pelo que me consta, é a lei máxima de um país soberano.
Você é daqueles que acha que a licenciatura é profissão de quem não gosta de trabalhar? Bom, num país onde não se dá valor para quem nos ensina a ler e a escrever não é tão difícl entender o porque de sermos feitos de bobos - e ainda nos achamos muitos malandros!
Se você acha que é fácil ensinar, eu lhe desafio a tentar! Vai lá, vai ver se é fácil, depois você me conta... porque ensinar, meus caros, é uma arte. É uma das profissões mais importantes da sociedade, pensando que a partir de uma boa educação de base formaremos seres humanos mais críticos, mais ativos e teríamos uma situação de menos desigualdade. Se a escola do Estado oferecesse uma educação de base de qualidade para todos, não precisaríamos de sistemas de cotas. Mas é mais fácil, como sempre, tapar o sol com a peneira do que entender e resolver as raízes das problemas.
Semana passada, Maria Izabel Azevedo Noronha (presidenta do sindicato dos professoes do Estado de são Paulo - APEOESP) escreveu um belo artigo para a Folha de São Paulo explicando o porque da greve. Desde 1998 os professores não tem melhora no poder aquisitivo, é preciso um aumento de 34,3% para equilibrar os salários às necessidades atuais. Você tem aumento todo ano? Que bom pra você! Você acha que não há motivos para greve mesmo?
Todas essas propagandas que vemos na TV sobre a educação é mentira. Quem está na escola sabe. Não se iluda. Nenhuma escola é daquele jeito, pergute pra qualquer um. O material não é de qualidade, os uniformes também não. Não adianta só dar pra dizer que deu, entendeu? A parada tem que funcionar!!!
Não se esqueçam: no começo do século passado pessoas lutaram e, hoje, você tem 13º salário e férias. Jornada de trabalho regulamentada. Consegue se imaginar sem isso?
Todas as cobranças feitas por este Estado ano a ano e exibidos à sociedade serão válidas no dia em que este oferecer subsídios suficientes para o trabalho do educador: boas condições (sem ter medo de apanhar ou ser queimado), equipamentos, número adequado de alunos por sala (não uns 40 num quadradinho quente), material, reciclagens para os professores. A escola pública não é de graça. É mantida com o dinheiro dos nossos impostos, inclusive do seu. Portanto, deve proporcionar o melhor. No dia que o Estado fizer sua parte, fiquem sossegados, os professores farão a deles, porque muitos querem melhorias para trabalhar melhor.
Na entrega de uma obra em São Paulo semana passada, o governador José Serra não apareceu. Parece que ele tinha mais o que fazer, mas pode ter sido a falta de vontade de encarar os professores que protestavam por lá. E o Kassab, prefeito da maior cidade da América Latina, fez uma salva de palmas para o bons professores - que, segundo ele, são aqueles que estão em sala de aula. Do que adianta estar em sala de aula e não fazer um bom trabalho? Porque a educação é o caminho para a mudança. Não temos que ter medo dela, temos que buscá-la, para melhorar!
Professor que não participa do movimento pra não perder bônus e Lisença Premium sabe que está sendo controlado... mas é mais fácil assim! Então vai trabalhar sem motivo e sem vontade... e tudo fica na mesma.
Uma salva de palmas pra quem prefere brigar por melhores condições para ir trabalhar bem do que ficar três meses em casa de lisença. Porque reclamar é essencial, mas desde que se entenda porque. Conseguimos leis trabalhistas assim. Não dá pra entregar os pontos, ainda mais quando se trata da educação... daqueles que serão adultos em breve.

domingo, 21 de março de 2010

Especial: Cinema - 1984

Meus caros, dando continuidade a lista das memoráveis películas dos anos 80, mais alguns pra vocês, dessa vez os melhores de 84! Esse foi, até agora, o ano mais legal de se pesquisar, pois são dele vários clássicos que marcou quem cresceu nessa década colorida...


Gremlins (Gremlins, EUA)
Direção: Joe Dante
Elenco: Hoyt Axton, Don Steele, Scoot Brady, Arnie Moore.



Tudo começa com um pai tentando arrumar o melhor presente de natal para seu filho. Andando por Chinatown, ele encontra o simpático Mogwai. Só que, para manter esse bichinho aparentemente simpático, deve ser cumpridas, à risca, três regras: nunca deixá-lo exposto ao sol nem à luz forte, nunca molhá-lo e, sobretudo, nunca alimentá-lo depois da meia-noite. Como essas regras não são respeitadas, uma série de confusões começam... com muitas criaturas más aterrorizando a cidade! Todos os gremlins são bonecos reais, ou seja, marionetes, fantoches e a técnica do stop motion foram usados para dar vida aos bichinhos mais peculiares do cinema.





Em 1990, uma continuação foi lançada Gremlins 2 - A Nova Turma, do mesmo diretor e também muito divertido! Tão divertido que não sei o que foi melhor: os gremlins cantando New York, New York ou o fofinho do Gizmo "trajado" de Rambo!







A História Sem Fim (Die Unendliche Geschichte / The Neverending Story, Alemanha, EUA)
Direção: Wolfgang Petersen
Elenco: Barret Oliver, Gerald McRaney, Drum Garret, Darryl Cooksey, Nicholas Gilbert.

Baseado no livro do escritor alemão Michael Ende, A História Sem Fim dá vida aos mais encantadores personagens. É uma adorável aventura que o jovem Bastian vive quando abre um misterioso livro.
Em 1990, a história ganha uma continuação A História Sem Fim II: O Próximo Capítulo.

Trailler - A História Sem Fim


Era Uma Vez na América (Oce Upon a Time in America, Itália, EUA)
Direção: Sergio Leone
Elenco: Robert De Niro, James Woods, Elizabeth McGovern, Joe Pesci, Burt Young, entre outros.
Uma obra maravilhosa de Leone, conta a história de David (De Niro) e Maximilliam (Woods), descendentes de judeus que na década de 20 crescem juntos cometendo pequenos crimes em Nova York. Ao longo do tempo, vão ganhando espaço na máfia e, aqueles que foram amigos no passado, se tornam rivais.





O Exterminador do Futuro (Terminator, EUA)
Direção: James Cameron
Elenco: Arnold Schwarzeneger, Michael Biehn, Linda Hamilton, Paul Winfield, entre outros.
O Exterminador do Furuto foi o primeiro da "trilogia" - entre aspas porque trilogia, por definição, consiste em somente três. Um andróide, interpretado pelo governador da Califórnia, vem do futuro com o objetivo de matar a mãe de um futuro líder guerrilheiro humano e, deste modo, evitar seu nascimento. Mas ele não vem sozinho. Um guerrilheiro, também do futuro, vem para proteger essa mulher.
Agora toda vez que, por algum motivo, eu sinta raiva do Cameron eu paro e penso: "calma, ele fez o exterminador...". E vai dizer que não foi muuuito emocionante ver esse filme, pela primeira vez?
O segundo episódio da saga é de 1991, seguido pelo terceiro A Rebelião das Máquinas (o mais fraco de todos) de 2003 e, ano passado, estreiou o quarto filme A Salvação, que é melhor que o terceiro e tem Christian Bale no papel do John Connor. Convenhamos, boa escolha.




Os Caça-Fantasmas (Ghostbusters, EUA)
Direção: Ivan Reitman
Elenco: Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis, Sigourney Weaver, Rick Moranis, Annie Potts, entre otros.
Três professores universitários perdem seus empregos e acabam achando a solução para seus problemas abrindo uma agência especializada em fenômenos espirituais.
Eu me lembro de ficar de pé na sala para ver esses caras saindo do Ecto-1 para enfrentar o Monstro de Marshmallow (Mr. Stay Puft). E aquela musiquinha então? E nem me venha falar que os efeitos são toscos, na época era o máximo, não seja anacrônico! Aproveite o filme, vá! As duas indicações que Ghostbusters recebeu ao Oscar foram, justamente, por Canção Original e Efeitos Visuais. A continuação saiu em 1989.


Who you gonna Call? Ghostbusters!

Sinto-me na obrigação de fazer um adendo aqui: Footloose! Nada me fazia dançar mais na frente da TV do que isso!

Let's Dance!!!!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Porque Acredito na Educação

Antes de mais nada é importante salientar aqui: sim, tem gente por aí que lê! Não só porque precisa, mas porque gosta.
Podemos aqui discutir todo o problema da falta de hábito do brasileiro de ler, por questões, por exemplo, como a falta de incentivo ao hábito da leitura nas escolas públicas. Afinal, não vivemos em um país em que o Estado incentive em nada, entende?
Não incentiva ao hábitos das artes em geral: tem muito músico que trabalha o dia todo e toca a noite... e quem nunca ouviu alguém dizer que todo músico é vagabundo? E quantas pessoas você conhece que dizem se sentir privilegiadas em frente à um quadro, sei lá, do Renoir? E quantas pessoas tem o hábito de ler, com frequência?
Melhor ainda: aqui não existe incentivo para trabalho intelectual. Só se dá valor para trabalho braçal (que, é claro, também tem muito valor), porque quem fica por aí pensando é um inútil que não quer trabalhar. Quer que eu exemplifique?
Vá fazer uma faculdade de humanas, meu caro! Você vai estudar história? Pra quê??? Mas... você vai ser professor? Você só dá aulas ou você trabalha também? E não me venha você dizer que isso é lenda, que isso não existe mais hoje em dia... eu, pessoalmente, ouvi todas essas frases, mais de uma vez!
E aí vem a escola pública! Ah! Para que o Estado vai bancar a educação da grande massa sem nada em troca? O que eles ganham: mão-de-obra barata e alienada, fácil. Você tem em mãos, em geral, uma população carente - sem boas condições de moradia, trabalho, alimentação. Aí você coloca todas elas, umas 40 ou mais, num quadrado onde só há giz, lousa e o professor. O que você espera que aconteça? Mágica?
Só um adendo: não vou defender todos os professores desses país, porque já vi cada figura por aí, que é melhor eu nem me alongar... Mas defendo que há muita gente boa querendo fazer um bom trabalho, mas não consegue. E sabe o que é pior: é que, vira e mexe, algum professor apanha por aí - e o Estado culpa a falta de preparo deles para educar o futuro do país.
Ah, mas quer saber o que é PIOR AINDA?? É ver essas propagandas ma-ra-vi-lho-sas que o Governo do Estado de São Paulo põe na Globo, dizendo que está tudo melhorando e que os professores ganham bônus de até 15 mil reais! Ó, deuses! Que perjúrio!
Tudo bem, nós vivemos em um país cheio de problemas sociais, muitos, os quais não tenho nem domínio para discutí-los aqui, agora. Nós vivemos em um país historicamente formado por um Estado com uma farta capacidade de se aproveitar da carência alheia para enganar as pessoas - e assim continua mantendo-as carentes.
Sim, somos pessoas que não damos valor àqueles que nos ensinam a ler e escrever. E volto ao início do texto: nós não lemos muito. Porque ler é coisa de nerd babaca. Nós fomos educados para não alimentar a mente: porque alimentar a mente é perigoso, vai que os caras saem fazendo revoluções por aí...
Veja só: nós, professores que, teoricamente, formamos uma categoria de trabalho "intelectualizada", que, teoricamente, deveria até mesmo encabeçar movimentos políticos no país, o que eles fazemos? Não muito. Tem uns caras do sindicato que tentam "persuadir de maneira muito efusiva" que todos façam parte de um movimento tal... e aí, o sujeito vai doar sangue cedinho pra não pegar falta! Ou então, o cara se recusa a aderir a greve porque vai perder a Licença Premium... Quanto você vale, professor? Três meses de folga? Você quer melhorer condições de trabalho ou você não quer trabalhar?
Contudo, ao mesmo tempo, eu me recuso a acreditar que não temos escolha alguma. E que todo mundo que não lê, não vai ao museu ou nem faz silêncio numa sala de cinema é assim porque é alienada - porque tem gente que se aproveita da fossa para se acomodar. Tem gente que não faz nada disso, não se dedica à absolutamente nada - e, geralmente, são as primeiras a reclamarem de alguma coisa. Livros são caros, museus nesse país são pagos (e caros pra quem ganha uns dois salários míninos) e cinema não é pra qualquer um - e qualquer pessoa deveria ter acesso à esse tipo de programa, deveria existir incentivos nas escolas para criar o hábito, deveria existir muitos programas gratuitos... É, deveria...
E você também sabe que existe aquela pessoa que tem uma espécie de orgulho de dizer que não gosta de ler e que bate no livro de alguém que está lendo, só para ter um prazer mórbido de atrapalhar o prazer alheio. Sabe aquele cara que teve acesso à uma boa instrução, mas mesmo assim se recusa a entender o conhecimento como um algo bom pra si?
Pois é... tem gente que tem escolha e escolhe ir ver novela, porque é mais fácil. Porque assim dá pra ir dormir feliz. Eu me recuso a acreditar que ninguém tenha escolha, porque é o mesmo que acreditar que nenhuma pessoa consiga tirar alguma conclusão ou mudar alguma coisinha no seu estilo de vida. É tão paradoxo e tão complexo, que funde a cabeça de tanto pensar. Mas deve chegar uma hora em que ninguém aguente mais, né? Ou será que o futebol de domingo vai bastar pra sempre?
Eu acredito na educação como forma de transformação social. Não na educação que doutrina, para um lado ou para o outro. Na educação que mostra que existe mais que um único caminho.
Na educação que mostra o conhecimento como uma arma contra a exploração.
Será que todo mundo acredita mesmo que ser brasileiro é gostar de samba, futebol e bunda - ou há uma galerinha que vive nessa porque, assim, não precisa fazer esforços? Tudo bem que o cara acha isso bonito porque há uma convenção nacional e propagandas pra isso. Mas, com um pouquinho de esforço, será que não dá pra escolher acreditar que ser brasileiro é pesquisar o cara em que se vai votar nas eleições e não escolher o mesmo fulano que já deu escândalo umas 20 vezes? Ou anular seu voto e mostrar que você não concorda com nenhum deles? Mal conhecemos nossa própria história... e nem nos lembramos da última eleição...
Hoje vi que uma matéria sobre do CQC, programa jornalístico semanal da Band, foi censurada. Aquele quadro Proteste Já. Vejam só, minha gente: CENSURA. Aí tenho que ouvir um sujeito qualquer dizer "pobrezinhos dos cubanos, eles não tem liberdade!". E você, tem?