Pra quem gosta de ler, ver e ouvir - e outras coisas do tipo.

Mostrando postagens com marcador Crônica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crônica. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Literatura - As Cem Melhores Crônicas Brasileiras

A crônica é um estilo literário que foi ganhando admiradores ao longo do tempo no país. Com pequenas histórias, na maioria das vezes narradas em primeira pessoa, a crônica é encantadora sobretudo pela liberdade que possibilita ao autor. Nunca saberemos se determinado cronista conta alguma experiência própria ou algo criado por sua imaginação, contudo sabemos que a crônica é capaz de nos revelar muito sobre o próprio autor, sua época e seu estilo. É como viajar, por um instante, pela ótica de outra pessoa.
O livro As Cem Melhores Crônicas Brasileiras, selecionadas por Joaquim Ferreira dos Santos, (editora Objetiva) nos permite apreciar o desenvolvimento do estilo no Brasil: a obra está dividida cronologicamente e tem assinaturas de autores de peso como Machado de Assis e José de Alencar.
O leque temático é imenso e as visões embutidas nas histórias também. Recomendo, em especial, as crônicas Chorinho para a amiga, de Vinicius de Moraes, Ser Brotinho de Paulo Mendes Campos, a sagaz "Cãomício no calçadão" de José Carlos Oliveira, a poética Ter ou não ter namorado, de Artur da Távola, Dialogando com o público leitor, de João Ubaldo Ribeiro e Pessoas Habitadas de Martha Medeiros. Há ainda muitas outras que merecem realmente serem lidas.
Nas palavras do organizador Ferreira dos Santos, " literatura é tudo aquilo que permanece. É o caso das crônicas que vêm a seguir". Consolidada como estilo literário de relevância no país, a crônica brasileira é suave, inteligente e bem humorada - e a leitura é muito agradável.


As Cem Melhores Crônicas Brasileiras
Seleção Joaquim Ferreira dos Santos
Editora Objetiva
Média de Preço: de R$ 45 a 52,90

domingo, 24 de janeiro de 2010

O Natal e a Linha do Equador

Dezembro agora estava passando pela Paulista, observando a decoração de natal, quando me deparei com algo que, acho eu, nunca compreenderei. Num certo ponto da mais paulista das avenidas, uma multidão chamou minha atenção. Isso porque havia um coral cantarolando músicas de fim de ano. Até aí, tudo bem. Confesso que não sou uma pessoa lá muito natalina e, na prática, tudo isso não tem significado algum pra mim. Mas que seja. O que eu não me conformo mesmo é com esse inconformismo de “não-neve”.

Então lá estava eu, parada no semáforo, quando começa a “nevar”. Sim meus caros, neve! Tudo bem que São Paulo tem um clima bem peculiar, mas neve já é demais! Eu coloquei a mão pra fora do carro e descobri: a neve era sabão. Pois bem.

Desde há muito tempo, aqui no Brasil, em dezembro é verão. Sabe como é. Aula de geografia básica. A Linha do Equador é uma linha imaginária que divide o mundo em hemisférios norte e sul. Devido ao movimento de translação da Terra e seu eixo de inclinação nós, pessoinhas que vivem abaixo da Linha do Equador, ou seja, no popularmente conhecido hemisfério sul, passamos pelo verão em dezembro, já o pessoal do hemisfério norte fica com o inverno nessa época! É assim que funciona!

Então, goste ou não, não neva no nosso natal. E é muito provável que você passe o feriado de chinelas e blusa sem manga. E qual o problema nisso? Não sei. Falta de glamour? Ou é babaquice mesmo? Porque começo a achar que a segunda opção é bem mais provável.

Tudo bem que a TV só passa filmes norte-americanos de natal nessa época, e lá as pessoas cantam felizes vendo a neve pela janela, e tudo aquilo parece tão bonito... Ai, ai... Contudo querer ser o que não é já é bem triste... agora querer mudar o clima é prepotência demais! Aqui não é ! Só isso, simples assim. Deu pra entender? Aceite que você vive nos trópicos, área mais quente do mundo! E digo mais: fiquei sabendo por fonte fidedigna que até Papai Noel vem pra cá de bermuda e regata! Ou você acha que ele agüenta o calor naquela roupa quente?

Não fique triste, na Austrália também está fazendo calor. Chiquérrimo, não? E olha que eles falam inglês! Só me faça um favor: não me venha ficar emocionado com neve de sabão. Aí já é demais. Não tem espírito natalino que agüente!

O dia em que nevou na Paulista - em pleno verão.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ano Novo, Velhos Hábitos

Esse papo de ano novo é pura ladainha. O meu emprego é o mesmo, o meu chefe também. O trânsito continua um inferno e os transportes públicos lotados. O calor está de matar e a maioria das pessoas continua ignorando o fato de que isso não é lá muito normal. E os noticiários ainda passam entre as novelas, pra que todos possam esquecer as notícias tristes do dia.

Esse ano não fiz promessas de ano novo e nem listinha de “coisas a fazer” ou “prioridades”. Já ouvi muita gente dizer ano novo, vida nova. Mas a vida não muda por causa do nosso calendário ou porque a Terra completou mais uma vez a sua órbita em volta do sol. A verdade é que mudança é sempre algo que assusta. Mesmo quando você quer que ela aconteça. O inesperado causa um frio na barriga, sempre. Seja bom, seja ruim.

Esse ano eu resolvi que eu não quero deixar nada resolvido de antemão. E essa é minha única resolução! Sempre pensei muito no futuro e pouco no presente. Tenho viagens até a minha suposta velhice. Resolvi reformular meu modo de ver as coisas porque esse ano que passou foi, de longe, o pior. Não quero mais uma vida nova. Eu quero coisas novas pra minha vida, pra minha boa e velha vida.

Estar meio perdido na vida não é vergonha pra ninguém... O irônico é que eu tinha mais convicções e certezas quando era adolescente, antes de entrar na faculdade do que agora. Estranho, não? Tem gente que sabe o que quer da vida desde sempre. Tem gente que nunca vai saber. E nenhuma dessas duas condições determina se essa gente vai ou não ter satisfações.

O problema é que eu quero demais. Quero muitas coisas. Ao mesmo tempo. Não me conformo em ser a mesma coisa todo o tempo, até o fim da minha existência mundana! Haja tédio! Então esse ano resolvi que não prometer nada... Até porque, geralmente, a gente promete coisas pra tentar se enganar e não pra traçar rumos. Não prometi que vou parar de fumar. Não prometi que vou perder peso. Não prometi ir a mais lugares ou ver mais coisas. Não prometi nada.

O negócio agora é fazer o que tem de ser feito. Por mais sem sentido que isso pareça. O negocia é levantar da cama num domingo e ir a um lugar que nunca tenha estado antes, ou ler algo que nunca teve tempo, ou qualquer coisa que dê von-ta-de! Às vezes é preciso deixar o impulso nos controlar. Não dá pra ser metódico o tempo todo, sem pirar. Se der certo, ótimo. Mas se não der, tem sempre aquela opção de virar hippie, não é... Não é!?!?!